quinta-feira, 30 de outubro de 2014

me empresta um lápis de cor pra colorir a vida





Arte de Robert Duncan

" Alguém me empresta um lápis de cor pra colorir a vida desta gente que vive de luto com a cara amarrada e o coração fechado, que reclama até do zum-zum do mosquito, que vive de diz-que-me-diz, mas que se esquece que a vida é muito mais que blá-blá-blá..."

Tati Zanella

Mas quem eu sou mesmo?




Arte de Valeria Kotsareva.


 "(...) optei por não dar trabalho, segui a cartilha da boa menina.

Mas quem eu sou mesmo? Cumpridora, pontual, educada, porém, hoje, profundamente intolerante a tudo o que não for espontâneo, ao teatro das convenções, às blindagens contra a intimidade, ao que serve apenas para manter a orquestra tocando"

Martha Medeiros

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

quanta felicidade eu aguento?

  

Arte de Rebecca Louise Law


“Te desejo toda a felicidade que puder aguentar”

(...) quanta felicidade eu aguento? Não sei. Que venha. Recusá-la é que não vou."


Martha Medeiros

terça-feira, 28 de outubro de 2014

E vou me sentir melhor?




Arte de Elena Shumilova

 
Certo dia um menino estava muito irritado.

Ele parecia mesmo transtornado pela raiva, como se quisesse bater em todo mundo que encontrasse pela frente. Pacientemente, o pai perguntou se ele queria se livrar dessa raiva.
O menino disse que sim. Aí, o pai propôs:

- Sabe aquele lençol branco que está ali no varal?

- Sei...

- Você vai pegar pedaços de carvão que está nesse saco aqui e jogar no lençol... Jogar toda sua raiva sujando o lençol.

- E vou me sentir melhor?

- Vamos ver, disse o pai.

O menino foi jogando os pedaços de carvão e, quando acabou, estava imundo.
Com as mãos, os braços e a roupa negros de carvão.

O menino ficou olhando o lençol sujo e depois olhou pra ele mesmo, imundo.
O pai disse então:

- Você viu o que você fez com a sua raiva?

-Você a jogou toda contra o lençol, mas ela também voltou pra você.

O lençol está preto de carvão e você também está preto de carvão.

É como se fosse a sua raiva indo e voltando.

O menino ficou calado olhando para o lençol sujo e para ele mesmo.


Conclusão:


Se você conseguir se lembrar dessa historinha quando sentir raiva, ódio, mágoa, rancor, pense que todos esses sentimentos ruins, negativos, atingem principalmente o seu coração, mancham o seu espírito, trazem tristeza, e até doenças.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Enquanto isso o sol brilha lá fora sem precisar ninguém interferir. A chuva cai quando ela decide. E o relógio trabalha gratuitamente


Arte de Jacek Yerka

Perdendo tempo 


"Enquanto isso, a água continua escassa, a fila do hospital aumenta, o desocupado continua ocioso esperando na esquina uma vacilada para se dar bem. Enquanto isso o mar não está mais pra peixe pela poluição da água. A motosserra trabalha sem hora extra, derrubando o que era pra ficar de pé. Falta farinha, perde-se o feijão porque não choveu o suficiente. 

Enquanto isso, a violência toma conta da escola, e a gente não encontra respostas nos livros, nos consultórios ou nas religiões. Enquanto isso aparecem prédios no lugar de flores, tornando as sombras escassas. Enquanto isso, dispensamos a nossa capacidade cognitiva de respeitar a diversidade e seguimos preconceituosos. Fazemos de conta que o nosso latifúndio pessoal merece mais flores do que o restante do mundo. 

Enquanto isso enxotamos a credibilidade da bondade inerente ao ser humano. Enquanto isso os juros sobem, a honestidade cai, a sensibilidade desaparece, o respeito toma ônibus só de ida, a certeza fica cheia de dúvidas, a mentira encurta mais as pernas e a verdade parece tão longe dos simples mortais. Enquanto isso pedimos desculpas por não resistirmos a tentação em dar o jeitinho para nos beneficiar. Enquanto isso reclamamos do erro dos outros mortais. Culpamos quem não sabe se defender. Fingimos a solidariedade que não temos. 

Enquanto isso a vida continua dura. A luz encarece, o telefone fica mudo, o trânsito mais caótico, o stress toma conta, o tempo fica escasso, as prioridades mudam, as tentações consumistas atacam e o cartão vai ao limite.

Enquanto isso a fidelidade é adulterada por conceitos modernos e as derrapadas afetivas são consideradas burrices da vida. 

Enquanto isso a bolsa cai, a saia sobe, o emprego some, o dinheiro acaba , as preocupações fazem rugas fenomenais e insistimos em chover no molhado.

Enquanto isso o sol brilha lá fora sem precisar ninguém interferir. A chuva cai quando ela decide. E o relógio trabalha gratuitamente

Enquanto isso precisamos encurtar a distância entre o que a nossa alma se tornou e o que ela de fato deveria ser. Enquanto isso, a felicidade fica reduzida a bonitos poemas."

Ita Portugal

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

o dia me deixou exausto




Arte de Kevin Daniel

 "Agora que o dia me deixou exausto
Deve o meu anseio mais fausto
Receber amável a noite estrelada
Como se fosse uma criança cansada".

Herman Hesse

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ninguém deve contentar-se com o que lhe dizem.




Ate de  Michal Zahornacky

"Ninguém deve contentar-se com o que lhe dizem. Deve averiguar se é verdade. Saber se é a única verdade e compará-la com a verdade dos demais. Há que procurar sempre o outro lado de tudo".

José Saramago In “nas Suas Palavras”

domingo, 19 de outubro de 2014

Tem um aviso na porta do meu coração



  
Arte de Dorina Costras

“Tem um aviso na porta do meu coração: quem não dança conforme o ritmo da casa, não perca tempo tocando a campainha.”

Maria Bethânia