quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Depois que ele chegou, a nossa vida, nosso mundo, diminuiu ou dilatou-se?

 
Arte de Zurab Martiashvili 


"Não é tão simples saber se o outro nos ama ou não, mas há uma pergunta que podemos nos fazer e que contribuiria para que nos aproximássemos de uma resposta. Depois que ele chegou, a nossa vida, nosso mundo, diminuiu ou dilatou-se?"

Padre Fabio de Melo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Não confio no amor de quem não consegue ficar sozinho.




Arte de Iris Scuccato

“Sozinho é uma coisa, solitário é outra. Sozinho é com, solitário é sem.
Não confio no amor de quem não consegue ficar sozinho.
Nunca foi ao cinema sozinho, nunca viajou sozinho, perambula pela rua feito um cão que se perdeu do dono. Sentar na lanchonete de uma livraria para tomar um cafezinho assemelha-se a uma catástrofe. Sua solidão lhe parece vergonhosa e indigesta, é evitada com o mesmo afinco com que evitaria a morte.
Para ele, qualquer parceria é melhor que nenhuma. Uma conversa enfadonha é melhor que o silêncio. Um chato é melhor que ninguém. É praticamente um viciado em companhia.

(...)Amar é doar, não vem do doer. Amar é saber que aquele que a gente ama, se faltar, vai deixar saudade, mas não nos transformará num cadáver a vagar. Não confio em quem ama para ser um par, não confio em quem quer apenas se enquadrar, não confio em quem ama por não se tolerar.”

Martha Medeiros

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Queremos que dê certo, queremos fazer dar certo, lutamos para colocar tudo nos trilhos, nos eixos. Mas a vida segue seu ritmo



Arte de  Antoine Renault


"A gente vive buscando garantias. Queremos que dê certo, queremos fazer dar certo, lutamos para colocar tudo nos trilhos, nos eixos. Mas a vida segue seu ritmo. Os sentimentos têm seus próprios passos de dança. E de vez em quando somos obrigadas a ensaiar um novo passo. Nem sempre dura. Nem sempre é eterno. Nem sempre é como um sonho bom. E precisamos lidar com isso. Nem que seja na marra. Nem que tenha que engolir o choro e de vez em quando forçar um ou outro sorriso."

Clarissa Corrêa

domingo, 31 de janeiro de 2016

O que vem acontecendo é espetacular, máscaras caindo




Arte de  Igor Morsk

"A corrupção dentro da Petrobras é só a ponta do iceberg – ou alguém acredita que em outras empresas, sejam estatais ou privadas, não acontece o mesmo?
A corrupção no Brasil é um câncer que infelizmente não é terminal, porque não termina.
Porém, o foco hoje está na Petrobras, está no governo em vigência, está no momento presente, e isso divide o país. Se a corrupção estivesse sendo combatida como um mal comum a todos os partidos e a todos os segmentos da sociedade, talvez resgatássemos a humildade e nos mobilizássemos em busca de uma cura coletiva, mas virou uma guerra partidária. E aí sobra ofensa para tudo que é lado.

(...)Troquemos a ofensa por argumentos. Coloquemos nossas divergências para dialogar. O que vem acontecendo é espetacular, máscaras caindo, mas entendamos que o Brasil precisa deixar o sentimentalismo de lado e agir de forma conjunta e adulta. O mais importante é garantir à nova geração que a impunidade acabou – os políticos e empresários de amanhã têm que começar a ter medo de roubar. 

(...)Manifestações, críticas, desabafos, discordâncias, postagens indignadas ou bem-humoradas fazem parte do processo de reflexão e colaboram na mudança de mentalidade. Mas não esqueçamos que a guerra é contra a corrupção – que é apartidária."

Martha Medeiros: o verdadeiro inimigo

cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois





Arte de Bogdan Prystrom

“cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois

(,,,) São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.
O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.(...)"

Felizmente, no meu mundo a intolerância não se cria mais

 
Arte de  Beth Conklin

"Recentemente, um conhecido decidiu abolir todos os chamados "maus hábitos". Não fuma, não bebe, não dorme tarde, não toma refrigerante, não usa Facebook, WhatsApp, Snapchat ou Instagram, não ouve som alto, não fala palavrão. Vou chamá-lo neste texto de "Fulano".
Fulano, no alto de seus quase trinta anos, se converteu a uma religião bastante tradicional e fervorosa, herança familiar. Nunca parou para ler um livro inteiro desde os tempos de escola. Fulano rouba o sinal de TV paga do vizinho. Fulano é contra a imigração e chama negro de "escurinho" (sic). Fulano usa roupas caras, todas de marca. Algumas, infelizmente, fruto de mão de obra escrava. Quando mais novo, Fulano comprava droga direto da boca, no morro, na favela, na comunidade. Mas Fulano é contra a legalização da maconha e acha que bandido bom é bandido morto.

Fulano acha que ter pais separados é a receita pronta para o fracasso. Ele acha que toda mulher tem a obrigação de saber cozinhar e cuidar da casa, e vive criticando meu palavreado nada conservador. Fulano acha que a homossexualidade é imposição da mídia. Fulano me chega sempre com discursos prontos e mal pensados. Eu, neta de imigrantes, nascida em outro país, neta de negro, bisneta de índio e alemão, filha de mãe solteira, me recuso a dar ouvidos. Como boa nipônica, prefiro o silêncio ao grito esquizofrênico dos que nada têm a dizer.

Fulano não suporta o que é diferente de seu mundo inventado, dado pronto sem questionamentos ou entendimentos. Fulano me encontra e já não me olha nos olhos: ao seu ver, minhas ideias são deveras subversivas e ousadas. Fulano se fecha em seu casulo porque teme o que não sabe. Do que não entende, se protege com unhas e dentes. Do que não conhece, só é capaz de desprezar. Jogo os fatos na mesa e concluo: de igual, só nossa ignorância. O resto é múltiplo, variado, tem cores, nomes, sotaques, lugares, trejeitos, distâncias, costumes. Ainda bem. 

Felizmente, no meu mundo a intolerância não se cria mais."

Melina Castro

sábado, 30 de janeiro de 2016

de vez em quando somos obrigadas a ensaiar um novo passo


Arte de M. Cardouat 

"A gente vive buscando garantias. Queremos que dê certo, queremos fazer dar certo, lutamos para colocar tudo nos trilhos, nos eixos. Mas a vida segue seu ritmo. Os sentimentos têm seus próprios passos de dança. E de vez em quando somos obrigadas a ensaiar um novo passo. Nem sempre dura. Nem sempre é eterno. Nem sempre é como um sonho bom. E precisamos lidar com isso. Nem que seja na marra. Nem que tenha que engolir o choro e de vez em quando forçar um ou outro sorriso. Nem que a gente tenha que fingir que está tudo bem…"

 Clarissa Corrêa

A única coisa realmente importante é você se sentir importante para si mesma.

 
 
Arte de Auguste Toulmouche
 
 
A única coisa realmente importante é você se sentir importante para si mesma. Sem essa sensação de autoestima elevada, você vai passar a vida tentando desesperadamente ser importante para os outros, sem perceber que isso é um saco sem fundos. Por mais que os outros reconheçam o seu valor, eles jamais poderão suprir a falta que você faz para você mesma. 
 
 Letícia Lanz