segunda-feira, 9 de novembro de 2009

eterna rotina



O dia se repete
em sua eterna rotina:
nada de novo sob minhas retinas.

Ricardo Mainieri


Ultimamente meus dias estão à mercê do meu estado de saúde: com dor ou sem dor.

Viver com dor é a treva.

Até os pequeníssimos prazeres da vida nos são negados. Adoro ler, orkutear, blogar, passear, viajar [ não necessariamente nessa ordem]

Pois tentei tudo isso e não consegui ficar legal. A dor ronda o tempo todo, não dando tréguas a não ser alimentada por analgésicos em tempos determinados.

Nas horas de folga é na minha cama que encontro saída.

Concorme contei em postagem anterior, estávamos acreditando em dor ciática, mas com o passar do tempo percebi que não poderia ser só isso, visto que, agora a dor forte atrás da perna irradiando para todo o trajeto do ciático, com formigamentos era acompanhado de fraqueza muscular nas nádegas ou na perna do mesmo lado da dor.

Fiz resssonância por ordem médica e deu hérnia discal.

Por ser a recuperação da hérnia de disco lenta e marcada por altos e baixos, ou seja, melhoras e recaídas, meu estado emocional ficou bastante abalado.

Aumento de peso corporal (obesidade), hábitos errôneos de vida (má postura, sedentarismo, atividade física impactante e que sobrecarregue a coluna vertebral, levantar e carregar peso de forma inadequada, etc.), agressões, traumas e lesões, hereditariedade, estresse, nervosismo, tensão muscular, fatores emocionais e outros fatores, podem contribuir para o surgimento da hérnia discal lombar.

E agora José?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bendita sejas Tu,Auto-Crítica-Redentora!


Descrever-se

Dizem que quem se
descreve, se limita.
Não concordo.
Ao descrever-me,
exercito o que de
"humano" há em mim.
É a oportunidade
que tenho de mostrar
defeitos e virtudes.
Isso não é limitar-se,
é praticar auto crítica.
Gosto de descrever-me.
Alivia minha alma e
poupa meus ouvidos de
perguntas estúpidas,
como por exemplo:
"Por que não disseste
que tu eras assim ?"
Prefiro ouvir somente:
"tu já tinha me avisado..."
Mas, a auto descrição
requer que sejamos
verdadeiros e honestos.
Por isso que não tenho
medo de descrever-me
com tanta frequencia.
É como se me redimisse,
liberto-me assim, de
desculpas hipócritas!

Bendita sejas Tu,
Auto-Crítica-Redentora!

(Ginna Gaiotti®)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

uma vida fraudulenta faz sofrer demais



NORMOSE

Quanto mais a vida se torna truculenta, mais necessidade temos de buscar paz de espírito, o que explica o interesse crescente por crenças como o budismo e práticas como a ioga, que, cada uma a seu modo, procuram trazer a pessoa de volta para seu eixo interno, para um estado de relaxamento e de encontro com a felicidade através das coisas mais simples.

Lendo uma entrevista do Professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra que eu nunca tinha escutado, mas me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável e bem-sucedido. Quem não se "normaliza", acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são estes ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata, que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Martha Medeiros

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Luiz Prôa: Alma de poeta e Pai!


A gota

aos amigos

gosto
quando quem gosto
me procura

isso me tira
a clausura
liberta meus olhos

gosto
de quem fala
com ternura

isso sara
fraturas
aquece meu cosmos

gosto
do que é
eterno

amizade
é o verso
onde transbordo

Luiz Prôa


Nesta de procurar poesias de sangue novo, aqui, ali e acolá, e sentir como se fosse minha,acolher e compartilhar,conheci a poesia de Luiz Prôa.

Luiz Prôa para mim remete a poesia. Ao site "alma de poeta".Eis que de repente, seu nome é vinculado nacionalmente a uma tragédia: Perdeu seu filho para o crack. Seu filho mata a namorada num momento de crise.

Toda a mídia noticia que o pai entregou o filho para a polícia.

Tem tanta gente com nome igual. Foi assim que pensei.Não era isso.O tal pai,é o poeta.


Um sentimento de solidariedade, de compaixão se abateu sobre mim. Difícil deixar em branco.


A poesia "Preferência" antecipadamente retrata a coragem desse pai-poeta

"gosto de dar cara a tapa
expor o peito
não ter medo de fogueira


o que me faz a cabeça
é isso que na veia pulsa
a surpresa de quem vai à luta
e degusta a vida


não tenho medo de ridículo

pagar mico é risco

de quem busca o prazer


gosto mesmo é do imprevisto

da alma do momento vivo

viver é o ápice do vício

única droga que insisto"



De resto, deixo aqui as palavras de Luiz de Aquino.

"A dor, meu amigo, não é só sua. É nossa. É dos pais e mães que sofrem. É a dor dos pais e mães que perdem filhos por balas perdidas, por ação de ladrões, por efeito das drogas ou pelos acidentes de trânsito. É a dor dos que, como você, perdeu um filho para mais um subproduto da coca. A dor, meu querido Luiz Fernando, é nossa. É dor de poetas que se irmanam com você.
O triste é sabermos que a nossa dor não reduz a sua."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

meu nervo ciático é festeiro.



Tudo começou após viagem do feriado 7 de setembro. Na volta, dei de cara com o tornado próximo da minha cidade, sem falar na viagem que atrasou 5 horas devido ao mau tempo.

Uma dor lombar se instalou. Não dei muita atenção, afinal de contas, não sou do tipo que sente dor [meu limiar é alto] e não sou chegada a lamúrias, sem contar que detesto tomar remédios. Tive que tomar analgésicos.

Os dias foram passando e como tinha uma festa de casamento em Santa Maria, RS, não tinha muito a pensar. Eu ia na festa!

Fui, de salto alto. Me “esculhambei” de tanto “saracotear” e retornei a minha bela Santa Catarina.

Daí colhi os frutos: dor ciática. Uma dor persistente que começa na parte inferior das costas e se espalha pelas nádegas, pernas, tornozelos e, ocasionalmente, para o pé.

Não agüentando mais tanto desconforto, marquei uma consulta com um Ortopedista. Prescreveu analgésico, antiinflamatórios, injeção de um anestésico de longa duração com um medicamento corticóide para dar alívio, fisioterapia e o uso de compressas quentes. Nunca fiz adesão completa de tratamento como dessa vez. Rigorosamente.

O médico solicitou um Exame de Imagem de Ressonância Magnética (IRM) para afastar problemas nas vértebras (coluna vertebral) - ela pode estar irritada ou pode estar comprimindo meu nervo ciático, que deixei de fazer, afinal, logo logo tudo iria passar.

Passou setembro, e veio outubro com mais uma festa[encontro de turma]Eu fui!

Passou o tratamento, passou o tempo...as dores continuaram, somente dando tréguas às festas.

Até bringuei: meu nervo ciático é festeiro.

Opa! Se liga! Ai tem!

Fui investigar...

Achei um artigo de Laura da Fonseca Monteiro, Terapeuta Holística que me deu um grito de alerta.

“O chakra básico, localizado no final da coluna vertebral, é o centro de distribuição de energia vital responsável pela forma como lidamos com o lado material e prático da vida, pela concretização de nossas ações no mundo. Podemos sentir, idealizar e planejar uma ação, mas é no chakra básico que encontramos força para concretizá-la. Se este chakra estiver em desequilíbrio, seja por excesso de demanda ou por absoluta falta de estímulo, ficará muito difícil levar adiante nossos projetos.”

Esse ano não foi ruim, mas diferentemente exigente.

Acredito sinceramente, que esse desequilíbrio somatizou no meu corpo físico formas de dores.

O corpo fala, e não mente

Minha dor ciática, me imobilizou e levou a reduzir “na marra” minhas atividades.

De qualquer forma, quarta feira, farei Exame de Imagem de Ressonância Magnética.

Como escreveu Fabrício Carpinejar: Farto-me de esperança.

A tua vida é a tua vida



O CORAÇÃO QUE RI

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.

Charles Bukowski
Tradução de Tiago Nené



É, a tua vida é a tua vida...
Então: Não faças aos outros o que queres que te façam; os gostos deles podem ser diferentes dos teus.

Bernard Shaw

sábado, 24 de outubro de 2009

A Primavera já era ou ainda não nasceu?




INDAGAÇÃO


Na morta biosfera
o fantasma do pássaro
inquiriu
ao fantasma da árvore
(que não lhe respondeu):
A Primavera já era
ou ainda não nasceu?


Carlos Drummond de Andrade

Aqui chove descaradamente.
Baixou neblina.Refrescou.
Acredito que os DEUSES estão implicando com a primavera...
não deixam ela ser realmente ela.
Tadinha d'ela. Tadinha de mim...

Mil beijos
Martha Helena