terça-feira, 28 de junho de 2016

Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?

 
 Arte de Gerhard Glück
 
 
"(...) Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?

(...) O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência..."


Paulo Roberto Gaefke

segunda-feira, 27 de junho de 2016

É não somente lembrar, é explicar o quanto o outro é importante.




Arte de Bill Gekas


O amor, seja profissional, seja pessoal, reside nos detalhes. É não somente mandar uma carta, mas escolher a cor do envelope. É não somente mandar flores, mas cuidar com o que vai escrito no cartãozinho. É não somente lembrar, é explicar o quanto o outro é importante.



Fabrício Carpinejar

domingo, 26 de junho de 2016

Liga não, as pessoas são assim mesmo

 
 
 
Arte de Alexander Bartashevich
 
 
Liga não, as pessoas são assim mesmo. Umas são o que são, outras fingem que são, algumas pensam que são, tem as que querem ser, as que não conseguem ser, as que precisam ser, as que cansaram de ser e as que vão ser… E tem muito mais, acredito. Mas a melhor de todas elas, são as que são e ainda nos fazem ser

Diego Nunes

A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende





Arte de Kinga Britschgi


Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se! Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno.

A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!

Içami Tiba

sábado, 25 de junho de 2016

Peça proteção para o que você não vê, mas sente; para o que te alcança e não te faz bem; para o que te pesa os ombros e te atrasa os dias.





Arte de Ivailo Petro


"Seu tempo é tão precioso, não o perca com assuntos que não combinam com você. Assim como algumas pessoas não acrescentam, alguns assuntos nem deveriam começar.
Quando algo te incomodar, desconsidere e invista seu tempo em orações, afaste seus pensamentos do que te traz algum mal ou te faz entristecer. Delete comentários maldosos da memória e se distancie.
Peça proteção para o que você não vê, mas sente; para o que te alcança e não te faz bem; para o que te pesa os ombros e te atrasa os dias.
Reserve seu tempo para agradecer. Dias difíceis existem, mas os sorrisos se fazem presente quando você permite.
Abstraia toda e qualquer negatividade e seja feliz."


Ana Nunes

quanto mais você souber que é nada, mais você vai ascender a alto




Arte de Tomasz Alen Kopera  


"Dizemos que as únicas certezas que temos são a morte e os impostos. E a morte de cada um de nós agora é tão certa quanto seria se fôssemos morrer daqui a cinco minutos. Então, onde está sua ansiedade? Onde está sua desistência? Tome a si mesmo como já morto para que você não tenha nada a perder. Um provérbio turco diz que “Aquele que dorme no chão não cai da cama”. Da mesma forma é a pessoa que se toma como já morta.
Portanto, você é virtualmente nada. Daqui a cem anos você será um punhado de pó, e isso acontecerá de verdade. Junte tudo isso agora e aja baseado nessa realidade. E a partir disso… nada. Você repentinamente se surpreenderá: quanto mais você souber que é nada, mais você vai ascender a alto."

Alan Watts

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança


 Arte de Vladimir Fedotko


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.(...)"



Luís Vaz de Camões

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O que poderia nos aquecer?



Arte de Elena Shumilova


O que poderia nos aquecer? Solidariedade, tolerância, educação. Três palavras ao vento que, de tão repetidas, já quase perderam o significado. Mas vale teimar um pouco mais. Não é possível que seja tão difícil levar em conta os sentimentos dos outros, segurar uma agressão dentro da boca, compreender que se pode amar a si mesmo sem cair na vaidade de achar que todos os que não são iguais a nós estão equivocados. Um pouquinho de humildade, menos pretensão, menos afetação, lutar por valores que sejam comunitários, que mobilizem, agreguem, aproximem pessoas. Por aí, quem sabe, a gente extraia algum calor bem antes de a primavera chegar.
 

Martha Medeiros

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Memórias são matéria de sótão, lugar destinado ao que já foi significativo, mas que não se usa mais.


Arte de Yana Fefelova 


Sobre memórias

A morte de uma paciente aumentou meu sótão. Quando ela partiu (a idade a levou), fiquei em seu velório um tempo, em pé, perdida. Não sou da família, tampouco amiga, a única pessoa ali com quem eu falaria seria ela própria. Provavelmente comentaríamos a bonita despedida que estava recebendo, mas creio que ela sabia que seria assim. O problema é que fiquei com as lembranças que ela deixou em mim e sei que ela nunca mais vai buscá-las. É assim com meu trabalho de psicanalista: guardamos milhares de histórias, personagens, sonhos, que em geral ficam ali, empoeirados. Não quer dizer que fico pensando nisso, aí não seria sótão, seria cristaleira: aquelas coisas que se tira o pó, usa-se em ocasiões festivas, olha-se de vez em quando. Sótão é para guardar as coisas que se tornaram inúteis, não se quer mais, mas tampouco ousaríamos jogar fora.No último filme da série Toy Story, o menino que é dono dos brinquedos protagonistas cresceu, vai para a faculdade e precisa liberar seu quarto. O destino dos brinquedos mais apreciados seria o sótão. Por peripécias da trama eles se perdem, acabam descartados e encontram um destino feliz nas mãos de uma garotinha. Mas há uma pequena cena que deixa claro quem é o verdadeiro sótão: a mãe do rapaz. É ela que ficará com as memórias da infância dele, as quais serão buscadas, talvez, quando ele se tornar pai. Ela entra no quarto esvaziado, olha em volta, e mesmo num filme de animação é possível perceber seu desamparo. Provavelmente não era só o dela, era o meu que estava vendo, pois também estou com filhas crescidas, saindo das mais diversas formas. Atrás delas ficam brinquedos, livros infantis, pôsters de filmes, cuidados maternos agora desnecessários. Definitivamente, os pais são o sótão dos filhos.

Memórias são diferentes de lembranças de viagem, álbuns de ocasiões festivas, que ficamos tentando mostrar para pobres pessoas que fingem que se interessam. Memórias são matéria de sótão, lugar destinado ao que já foi significativo, mas que não se usa mais. Onde colocar, por exemplo, as lembranças de um casamento que acabou? São imagens e pensamentos que ficam na vã esperança, de um resgate, como os brinquedos do menino teriam ficado se fossem para lá. Guardar tudo isso não é voluntário, nem mesmo útil, já que minha paciente não vai mais usar suas histórias e talvez meus netos nunca se interessem pelos Playmobil que encaixotamos.   
É engraçado que amadurecendo costumamos nos queixar de que ficamos mais esquecidos. Deve ser porque o sótão ocupa cada vez mais espaço. Mas pobre daquele que não o tem.


 Diana Corso-O sótão