sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Eu gosto daquelas amizades ...que algumas verdades são jogadas na cara, mas as desculpas também são tão sinceras





Arte de Cecile Veilhan
 

Eu gosto daquelas amizades em que as pessoas brigam, mas não se desgrudam. Daquelas em que algumas verdades são jogadas na cara, mas as desculpas também são tão sinceras quanto. Aquelas que todos ao redor se perguntam como que os envolvidos conseguirão ficar longe um do outro no caso de alguma separação, ou daquelas em que essas mesmas pessoas dizem “só vocês podem se aturar”.


Gustavo Lacombe

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

De violento e incontornável basta o tempo.



Arte de Daria Petrilli


Elas estão em falta. São raras, cada vez mais valiosas. Quem tem uma, duas, três por perto, cuida. Mas cuida bem. Merecem o maior cuidado as pessoas que escolhem o que vão dizer, não por terem o que omitir, não porque querem agradar ou por falsidade, não por falsa inibição ou ausência de franqueza. Elas são assim porque respeitam as outras. Porque pensam antes de falar, porque prezam quem vai ouvir. Essa gente deve ser preservada, sim.

Bom senso mesmo, bom senso que não se anuncia mas se pratica anda escasso, bissexto como a honestidade que anda junto à gentileza. É que pouca coisa no mundo é mais doce e mais terna que a franqueza, a expressão generosa de uma alma boa, a sinceridade, essa coisa preciosa que os imbecis deram de confundir com grosseria e má educação. Imagina! Só mesmo uma mula há de afirmar que ser sincero é o mesmo que distribuir coices por aí.

Gente gentil de verdade fala olhando no olho e olha bem o que fala. Não sai espalhando palpite. Não enfia o bedelho onde não é chamada. Valoriza as próprias opiniões a ponto de pensar antes de panfletá-las aqui e ali. Tem respeito pelo ouvido e a paciência do outro. 

Gente gentil vai rareando faz tempo.

Essa gente que pede licença antes de entrar, que prefere ouvir a falar, que diz o que pensa mas o faz com apreço e delicadeza merece ser cuidada como flor sensível, sob o risco de ser pisoteada pelos gênios competitivos que transformaram a vida numa corrida de cavalos.

E a vida não é isso, não. Não precisa ser. De violento e incontornável basta o tempo. A vida há de ser mais leve e mais feliz quanto mais surgirem pessoas que falem olhando no olho e olhem bem o que falam. Gente que toma o cuidado de tratar o outro com respeito e com carinho. Que gosta de bicho e gosta de gente. E que não tem medo de dizer o que pensa mas tem a decência de pensar no que diz.



 André J. Gomes



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

o segredo da felicidade está no reconhecimento dos valores que temos sem preço algum



Arte de Tomasz Alen Kopera 


Substitua a reclamação pela GRATIDÃO, e comece a agradecer a Deus por tudo em sua vida, o segredo da felicidade está no reconhecimento dos valores que temos sem preço algum (família, amigos, sentimentos),
e não nas expectativas que criamos a respeito.
O que vem pela frente, são consequências do amor
que sentimos e doamos.

Cecilia Sfalsin

o que tem acontecido com nossos guardados da alma?É preciso enxergar além do que se vê para saber identificar o que se descarta e o que vira relíquia.



Arte de Vova Kupyansky



A gente cuida do cabelo, da pele, das unhas, do corpo, da casa, do carro, dos filhos. Arruma, ajeita, organiza, guarda.
E o que tem acontecido com nossos guardados da alma? O que estamos reciclando, desperdiçando, acumulando, estragando?

Somos caixa de guardados, amontoado de coisas, escolhas, sentimentos, lembranças. Pedaços de nós virando caminho, misturando pés e estrada. Quebra cabeças, colcha de retalhos.

Alguns guardados tem cheiro de cuidado e encontra fácil nosso sorriso. Outros, apertam nosso peito e aborrecem nossos olhos.

E quando aprendemos a identificar o que se guarda e o que se joga fora? Quando não doer mais, quando o mal cheiro incomodar, quando precisamos de espaço. 

E esse dia sempre chega. Embora vez ou outra adiemos a faxina, chega o tempo em que sentimos necessidade do cheiro de casa limpa, de espaço nas gavetas, de novas cores nas prateleiras. O importante é analisar cada peça, reler cada pedacinho de papel, tocar cada sentimento e separar o que soma, o que alegra, o que ensina, o que nos torna melhores, mais amplos, mais fortes, mais leves. O resto? O resto a gente joga na lixeira do esquecimento.

É preciso enxergar além do que se vê para saber identificar o que se descarta e o que vira relíquia.

Renata Fagundes.

Ninguém tem o direito de exigir nada de ninguém, muito menos dos mais íntimos.


Arte de Michael Parkes

“Ninguém tem o direito de exigir nada de ninguém, muito menos dos mais íntimos. Temos o direito e mesmo o dever de informá-los sobre os desdobramentos de seus atos: ‘quando você age dessa ou daquela maneira, isso provoca em mim tantas e tais sensações e emoções’. Se o outro quiser nos agradar certamente tenderá a evitar as condutas que nos entristecem. Se não for esse o caso, cabe a nós decidir se aceitamos ou não o convívio com essa pessoa.”


 Flávio Gikovate

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto de sua vida?


 
Arte de Dora Alis Mera



"O homem disse que tinha de ir embora – antes queria me ensinar uma coisa muito importante:

- Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto de sua vida?

- Quero – respondi.

O segredo se resume em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos: 

- Pense nos outros."


Fernando Sabino -"O menino no Espelho"

Se pudermos nos sentir em casa dentro de nós mesmos, novos lugares sempre poderão ser um lar.


Arte de Helena Lam

Para mudar, tivemos que encarar o medo da perda de identidade, o risco de sentirmo- -nos exilados, sem pouso. Não somos caracóis, não derreteremos ao sol. Nossa capacidade de mudança é sempre maior do que apostamos. Com o tempo, nossa mobília interior vai tornando-se embutida. Sabemos o que em nós é objeto frágil e carregamos com maior cuidado, já descartamos muitas coisas e descobrimos que é possível viver sem elas. Se pudermos nos sentir em casa dentro de nós mesmos, novos lugares sempre poderão ser um lar.

Diana Corso