terça-feira, 27 de outubro de 2009

Luiz Prôa: Alma de poeta e Pai!


A gota

aos amigos

gosto
quando quem gosto
me procura

isso me tira
a clausura
liberta meus olhos

gosto
de quem fala
com ternura

isso sara
fraturas
aquece meu cosmos

gosto
do que é
eterno

amizade
é o verso
onde transbordo

Luiz Prôa


Nesta de procurar poesias de sangue novo, aqui, ali e acolá, e sentir como se fosse minha,acolher e compartilhar,conheci a poesia de Luiz Prôa.

Luiz Prôa para mim remete a poesia. Ao site "alma de poeta".Eis que de repente, seu nome é vinculado nacionalmente a uma tragédia: Perdeu seu filho para o crack. Seu filho mata a namorada num momento de crise.

Toda a mídia noticia que o pai entregou o filho para a polícia.

Tem tanta gente com nome igual. Foi assim que pensei.Não era isso.O tal pai,é o poeta.


Um sentimento de solidariedade, de compaixão se abateu sobre mim. Difícil deixar em branco.


A poesia "Preferência" antecipadamente retrata a coragem desse pai-poeta

"gosto de dar cara a tapa
expor o peito
não ter medo de fogueira


o que me faz a cabeça
é isso que na veia pulsa
a surpresa de quem vai à luta
e degusta a vida


não tenho medo de ridículo

pagar mico é risco

de quem busca o prazer


gosto mesmo é do imprevisto

da alma do momento vivo

viver é o ápice do vício

única droga que insisto"



De resto, deixo aqui as palavras de Luiz de Aquino.

"A dor, meu amigo, não é só sua. É nossa. É dos pais e mães que sofrem. É a dor dos pais e mães que perdem filhos por balas perdidas, por ação de ladrões, por efeito das drogas ou pelos acidentes de trânsito. É a dor dos que, como você, perdeu um filho para mais um subproduto da coca. A dor, meu querido Luiz Fernando, é nossa. É dor de poetas que se irmanam com você.
O triste é sabermos que a nossa dor não reduz a sua."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

meu nervo ciático é festeiro.



Tudo começou após viagem do feriado 7 de setembro. Na volta, dei de cara com o tornado próximo da minha cidade, sem falar na viagem que atrasou 5 horas devido ao mau tempo.

Uma dor lombar se instalou. Não dei muita atenção, afinal de contas, não sou do tipo que sente dor [meu limiar é alto] e não sou chegada a lamúrias, sem contar que detesto tomar remédios. Tive que tomar analgésicos.

Os dias foram passando e como tinha uma festa de casamento em Santa Maria, RS, não tinha muito a pensar. Eu ia na festa!

Fui, de salto alto. Me “esculhambei” de tanto “saracotear” e retornei a minha bela Santa Catarina.

Daí colhi os frutos: dor ciática. Uma dor persistente que começa na parte inferior das costas e se espalha pelas nádegas, pernas, tornozelos e, ocasionalmente, para o pé.

Não agüentando mais tanto desconforto, marquei uma consulta com um Ortopedista. Prescreveu analgésico, antiinflamatórios, injeção de um anestésico de longa duração com um medicamento corticóide para dar alívio, fisioterapia e o uso de compressas quentes. Nunca fiz adesão completa de tratamento como dessa vez. Rigorosamente.

O médico solicitou um Exame de Imagem de Ressonância Magnética (IRM) para afastar problemas nas vértebras (coluna vertebral) - ela pode estar irritada ou pode estar comprimindo meu nervo ciático, que deixei de fazer, afinal, logo logo tudo iria passar.

Passou setembro, e veio outubro com mais uma festa[encontro de turma]Eu fui!

Passou o tratamento, passou o tempo...as dores continuaram, somente dando tréguas às festas.

Até bringuei: meu nervo ciático é festeiro.

Opa! Se liga! Ai tem!

Fui investigar...

Achei um artigo de Laura da Fonseca Monteiro, Terapeuta Holística que me deu um grito de alerta.

“O chakra básico, localizado no final da coluna vertebral, é o centro de distribuição de energia vital responsável pela forma como lidamos com o lado material e prático da vida, pela concretização de nossas ações no mundo. Podemos sentir, idealizar e planejar uma ação, mas é no chakra básico que encontramos força para concretizá-la. Se este chakra estiver em desequilíbrio, seja por excesso de demanda ou por absoluta falta de estímulo, ficará muito difícil levar adiante nossos projetos.”

Esse ano não foi ruim, mas diferentemente exigente.

Acredito sinceramente, que esse desequilíbrio somatizou no meu corpo físico formas de dores.

O corpo fala, e não mente

Minha dor ciática, me imobilizou e levou a reduzir “na marra” minhas atividades.

De qualquer forma, quarta feira, farei Exame de Imagem de Ressonância Magnética.

Como escreveu Fabrício Carpinejar: Farto-me de esperança.

A tua vida é a tua vida



O CORAÇÃO QUE RI

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.

Charles Bukowski
Tradução de Tiago Nené



É, a tua vida é a tua vida...
Então: Não faças aos outros o que queres que te façam; os gostos deles podem ser diferentes dos teus.

Bernard Shaw

sábado, 24 de outubro de 2009

A Primavera já era ou ainda não nasceu?




INDAGAÇÃO


Na morta biosfera
o fantasma do pássaro
inquiriu
ao fantasma da árvore
(que não lhe respondeu):
A Primavera já era
ou ainda não nasceu?


Carlos Drummond de Andrade

Aqui chove descaradamente.
Baixou neblina.Refrescou.
Acredito que os DEUSES estão implicando com a primavera...
não deixam ela ser realmente ela.
Tadinha d'ela. Tadinha de mim...

Mil beijos
Martha Helena

nu na areia, no vento...


Consolo na praia

Vamos, não chores
A infância está perdida
Mas a vida não se perdeu
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras
Em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas e o humor?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
Murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
Precipitar-te de vez nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.





Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 22 de outubro de 2009



"Somos todos anjos de uma asa só; e só poderemos voar quando abraçados uns aos outros"

Luciano De Crescenzo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Provocações Filosóficas



O livro Não Nascemos Prontos – Provocações Filosóficas de Mario Sergio Cortella, filósofo brasileiro, mestre e doutor em Educação, apresenta crônicas que discutem temas diversos à luz da filosofia e tendo como palco o cotidiano.

Não li esse livro, mas assisti os vídeos relacionados, em 4 partes, de um Seminário sobre Família, Escola e Cidadania: Quais os caminhos? – que aconteceu em Florianópolis/Santa Catarina em 2007.

Tento aqui provocar a curiosidade de cada um em assistir aos vídeos.

“…o mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende muito do tipo de filho que nós vamos deixar para o mundo…”

“…geração miojo…” a que quer tudo em 3 minutos...e assim se angustia quando assim não acontece


“…as coisas para acontecerem demoram um processo, dá trabalho…”

E segue intrigando e surpreendendo com a citação de Contardo Calligaris que diz que os jovens de hoje parecem adultos em férias… e que como não nascemos prontos, quem “aprontou” esses sujeitos pergunto eu?


“Eu acho que os pais perderam a referência de educação e passaram só a prover sem autoridade. Os filhos não ouvem os pais, fazem o que têm vontade e os pais acabam aceitando para não contrariar, achando que se o filho fizer o que tem vontade será um líder. Aí que está todo o engano de posição na vida. Líder não é aquele que faz o que tem vontade, mas faz com que o outro produza o melhor que pode. É um gerenciador de pessoas e não um escravo. E os pais se colocam na posição de escravos da vontade dos filhos, estão sendo tiranizados.”

Dr. Içami Tiba.


PARTE 1:




PARTE 2:




PARTE 3:





PARTE 4:


20 de outubro: dia do poeta.Obrigado a TODOS que me fazem voar fora da asa....




"Poesia é voar fora da asa."

Manuel de Barros



No Brasil, a poesia ao longo dos séculos, passou por várias escolas até chegar na atualidade. É pós-modernismo, onde não temos mais regras para a produção poética, seguindo o estilo de cada autor.

Eu, particularmente,gosto da poesia existencial que trata de temas como experiências da vida, como a angústia, a dúvida, a solidão, a velhice, a morte.

No modernismo brasileiro,Drummond, me oferece muito desse tipo de poesia.


Versos à boca da noite


“Sinto que o tempo sobre mim abate
sua mão pesada. Rugas, dentes, calva...
Uma aceitação maior de tudo,
e o medo de novas descobertas.

Escreverei sonetos de madureza ?
Darei aos outros a ilusão de calma?
Serei sempre louco? sempre mentiroso ?
Acreditarei em mitos ? Zombarei do mundo ?

Há muito suspeitei o velho em mim.
Ainda criança, já me atormentava.
Hoje estou só. Nenhum menino salta
de minha vida, para restaurá-la.

Mas se eu pudesse recomeçar o dia !
Usar de novo minha adoração,
meu grito, minha fome... Vejo tudo
impossível e nítido, no espaço.

Lá onde não chegou minha ironia,
entre ídolos de rosto carregado,
ficaste, explicação de minha vida,
como os objetos perdidos na rua.

As experiências se multiplicaram:
viagens, furtos, altas solidões,
o desespero, agora cristal frio,
a melancolia, amada e repelida,

e tanta indecisão entre dois mares,
entre duas mulheres, duas roupas.
Toda essa mão para fazer um gesto
que de tão frágil nunca se modela,

e fica inerte, zona de desejo
selada por arbustos agressivos.
(Um homem se contempla sem amor,
se despe sem qualquer curiosidade.)

Mas vêm o tempo e a idéia de passado
visitar-te na curva de um jardim.
Vem a recordação, e te penetra
dentro de um cinema, subitamente.

E as memórias escorrem do pescoço,
do paletó, da guerra, do arco-íris;
enroscam-se no sono e te perseguem,
à busca de pupila que as reflita.

E depois das memórias vem o tempo
trazer novo sortimento de memórias,
até que, fatigado, te recuses
e não saibas se a vida é ou foi.

Esta casa, que miras de passagem,
estará no Acre ? na Argentina ? em ti ?
que palavra escutaste, e onde, quando ?
seria indiferente ou solidária ?

Um pedaço de ti rompe a neblina,
voa talvez para a Bahia e deixa
outros pedaços, dissolvidos no atlas,
em País-do-riso e em tua ama preta.

Que confusão de coisas ao crepúsculo !
Que riqueza ! sem préstimo, é verdade.
Bom seria captá-las e compô-las
num todo sábio, posto que sensível:

uma ordem, uma luz, uma alegria
baixando sobre o peito despojado.
E já não era o furor dos vinte anos
nem a renúncia às coisas que elegeu,

mas a penetração no lenho dócil,
um mergulho em piscina, sem esforço,
um achado sem dor, uma fusão,
tal uma inteligência do universo

comprada em sal, em rugas e cabelo.”


Carlos Drummond de Andrade, 1962


20 de outubro: dia do poeta.

Obrigado a TODOS que me fazem voar fora das asas....

terça-feira, 20 de outubro de 2009

suposta existência



Estou lendo Mario Sergio Cortella: ”Não espere pelo epitáfio...provocações filosóficas”...pois ele me provocou mesmo com suas crônicas.

Lá pelas tantas, fala sobre ilusionismos, a existência efetiva do real, na incerteza naquilo que vemos, experimentamos, pensamos ou sentimos existe de fato.

Quantos de nós já passou, inúmeras vezes, por situações que depois se percebeu que não era o que parecia ser?

Em novelas, livros, filmes e ficções, a gente fica abismado em saber como os personagens não percebem o engano tão banal.Mas na vida real, a coisa surge com tanta verocidade que permanecemos no ilusionismo por muito tempo, e se patetear, muitas vezes, perdemos momentos, pessoas, amizades, por esse engano de julgamento.

Haja luz!

E foi aqui neste livro, que li a “suposta existência” de Carlos Drummond de Andrade, que compartilho

"Como é o lugar
quando ninguém passa por ele?
Existem as coisas
sem ser vistas?


O interior do apartamento desabitado,
a pinça esquecida na gaveta,
os eucaliptos à noite no caminho três vezes deserto,
a formiga sob a terra no domingo,
os mortos, um minuto depois de sepultados,
nós, sozinhos
no quarto sem espelho?"

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Festa de 30 anos da ATFB [farmácia Bioquimica] 1979 da UFSM



A nossa festa teve direito a TUDO, inclusive estar no You tube.
um rápido pssseio pela nossa trajetória, desde a festa dos bixos até nossos encontros atuais.
Estamos em estado de graças.Que estejamos todos juntos nos próximos encontros.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

que o tempo nunca leve.


Que o breve seja de
um longo pensar.
Que o longo seja de
um curto sentir.
Que tudo seja leve de
tal forma que o tempo nunca leve.


Alice Ruiz


Mil beijos
Martha Helena

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Que bom que fui...


“Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.”

© Letícia Thompson

Acabo de chegar de um encontro de turma após 30 anos de formatura.

Teve gente que não via desde este tempo. Outras, graças ao orkut, temos nos encontrado real e virtualmente.

Tem gente que não foi querendo ir e gente que não foi porque não quis.

Achei interessante, que uma colega que mora na cidade do evento, não foi porque seria muito melancólico.

Isso foi o que menos foi.

Nosso encontro foi mil, sem frescuras. E ai residiu o sucesso dele. Nada de preparativos, roupas mirabolantes, gente querendo aparecer. Nós TODAS aparecemos!

Estávamos felizes e molecas...rindo à toa...

Eu digo nós, porque éramos muitas para um colega homem.

Não aconteceu como os temíveis encontros de mostrar o que se ganhou...nem o que se perdeu....o motivo foi o encontro por si só, com muitos abraços, risadas, curtição e fotos nada parecido com o que tem por ai.

Como é sábio Miguel Sousa Tavares:

“...E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente..”


Obrigada Lenir, por ter organizado nosso encontro.Foi mágico!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia Internacional do Idoso: há o que comemorar?


Vem, com a velhice, esta serenidade
Que nos faz ver o mundo sem rancor,
Ter um suave sorriso de piedade
Para quem no ódio viva, odiando o amor.

A ceticismo torna-se a vontade
De ser bom, fazer bem seja a quem for;
Ao mau que não tem culpa da maldade,
Ao que é, por seu destino, sofredor.

Abençoada velhice! Os desengano
Que nas lições da vida ela nos traz
Nos trazem lucros, não nos trazem danos;

Vemos que a luta que ficou atrás
Não vale, bem medida, os poucos anos
Que nos resta viver, vivendo em paz.

Bastos Tigre




Envelhecer

Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.


Bastos Tigre


Manuel Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957) foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.

Foi homem de múltiplos talentos, pois foi jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário, além de engenheiro e bibliotecário. E em todas as áreas obteve sucesso, especialmente como publicitário. "É dele, por exemplo, o slogan da Bayer que correu o mundo, garantindo a qualidade dos produtos daquela empresa: "Se é Bayer é bom". Foi ele ainda quem fez a letra para Ary Barroso musicar e Orlando Silva cantar, em 1934, o "Chopp em Garrafa", inspirado no produto que a Brahma passou a engarrafar naquele ano, e veio a constituir-se no primeiro jingle publicitário, entre nós." (As vidas..., p. 16).

Exerceu a profissão de bibliotecário por 40 anos, é considerado o primeiro bibliotecário por concurso, no Brasil.

No dia 12 de março é comemorado o Dia do Bibliotecário, que foi instituído em sua homenagem.

fonte: Wikipédia