terça-feira, 30 de dezembro de 2008


Trecho da crônica “Redescobrindo o amor dos cães”, de Affonso Romano de Sant’Anna

Devo confessar que os cães entraram muito tarde em minha vida. Antes olhava-os com distante complacência. Não os hostilizava, mas também não sucumbia à sua sedução. Mas as coisas começaram a mudar há algum tempo. Talvez seja aquela coisa da sabedoria popular que diz que, quanto mais a gente conhece os humanos, mais gosta dos animais. Agora, por exemplo, nesse exato momento, uma linda yorkshire com nome de fada escocesa – Pixie, veio enroscar-se nos meus pés, enroscar-se nas frases deste texto.

Da infância, além dos cães da vizinhança, ficou-me na memória apenas aquele cão Veludo, num poema que a gente, entre lágrimas, ouvia nos concursos de declamação: “Eu tive um cão, chamava-se Veludo./ Magro, asqueroso, revoltante, imundo/Para dizer numa palavra tudo/Foi o mais feio cão que houve no mundo”. Não me lembro quem era o autor e espero que algum leitor daquele tempo em que a “escola era risonha e franca” me mande a cópia do mesmo. Mas o que interessa é que o poema contava de maneira patética como aquele cão feíssimo abandonado por alguém na hora da partida deu provas de amor ao dono até a morte.


(...) entre as conseqüências de ter cães, está a ressocialização dos humanos. Exato. Os animais ajudam os humanos a se ressocializarem. Vejo isto aqui pelas calçadas de Ipanema e Leblon. Como os proprietários de cães se param nas ruas e de alguma maneira também se cheiram socialmente, havendo casos, não poucos, de acasalamentos também de donos. E falam de seus cães como se falassem de filhos e netos. Talvez até com mais carinho. Pois os animais, embora tenham a tendência de assimilar características de seus donos, são menos exigentes e, em muitos casos, mais gratificantes que os humanos.

A comunidade dos que amam cães tem algumas características próprias. É possível que sejam semelhantes à irmandade dos que amam cavalos, gatos...e pessoas. São nichos de afeto dentro da vida. Já foi constatado que o contato físico com alguns animais melhora nossa saúde. Acho que muitas pessoas teriam uma cura psicanalítica mais barata se adotassem certos tipos de cães, mesmo porque eles se parecem com os psicanalistas, não falam, e podem nos fazer companhia mais do que uma sessão de 50 minutos.

Assim como há colecionadores de selos e esperantistas, os proprietários de cães constituem um mundo à parte, e, sendo em maior número que aqueles, na verdade, pode-se dizer que eles são propriedades de seus cães. Tive disto a prova real quando, telefonando para uma clínica de cães para marcar mais uma vacina, ouvi a moça do lado de lá me perguntar, quando disse o meu nome:
-Affonso, de que cachorro?.



Neste Natal, comprei o livro "tempo de delicadeza" de Affonso Romano de Sant´Anna, para me fazer companhia numa viagem de ônibus entre RS e SC.
Como sempre minha leitura se faz de trás para a frente. Sei lá porque, acredito que os últimos serão os primeiros...Fazer o quê? maluquices enraizadas...

Quando li essa crônica,lembrei imediatamente da minha história:
-"Devo confessar que os cães entraram muito tarde em minha vida'

Para mim cachorro era cachorro e hoje sem filhos em casa, minha Zuka é minha Zuka, minha maluca, minha descarga de afeto...coisa mais querida...

Meus filhos chegaram para o Natal e um deles trouxe uma cadelinha chamada de VICK ,[minha neta], que veio me deixar maluquete, pois quando me dei por conta eram elas, as cadelinhas, tia e sobrinha , as donas do assunto, do tempo, das conversas, das risadas e dos ciúmes do outro filho que tinha deixado em casa o Zig, o mais novo cachorro, que desabrigado foi acolhido depois das enchentes em Blumenau...

"entre as conseqüências de ter cães, está a ressocialização dos humanos. Exato. Os animais ajudam os humanos a se ressocializarem."

E confirmando o fato, depois de muita curtição com esses serezinhos maravilhosos,Ziggy foi adotado.

Agora o tempo vai ficar limitado para contar as peripércias de cada um.

Quanto ao "Acho que muitas pessoas teriam uma cura psicanalítica", vai deixar o Vinicius raivoso.

-Vinicius? de que cachorro?
-Do Ziggy, é que ele está tentando mestrado em psicanálise...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Natal é boa ocasião para o casal se perdoar e fortalecer a relação


Para além da agitação consumista, com o afeto tentando se traduzir em presentes, este é um momento espiritual e amoroso em que os parceiros podem refletir sobre valores algumas vezes esquecidos. Por isso mesmo, a tolerância e o perdão não devem ir embora junto com o Papai Noel: são os melhores brindes que o generoso velhinho traz àqueles que se amam.



A vida corre apressada e difícil. Nem sempre as pessoas se dão conta de que estão ligadas no automático: vão em frente na luta pela sobrevivência - que cada um inventa à sua maneira. Sim, pois embora o sobreviver tenha um aspecto objetivo, a partir de um certo cardápio básico, cada um o recria conforme o próprio desejo, nível de exigência e estilo subjetivo. Na torrente do dia-a-dia, falta tempo para refletir se não estamos sendo distantes ou egoístas demais, atropelando sentimentos alheios e até perdendo de vista as próprias referências. A indiferença é capaz de atingir inclusive as relações mais íntimas - o amor que está ao nosso lado, os filhos, os pais, os irmãos e os demais familiares. Às vezes, é preciso uma solenidade como o Natal, com seus encontros festivos, ceia e presentes para que aconteça um momento de emoção, uma chance de olhar em volta, redescobrindo entes queridos e prestando atenção ao valor da vida.

O momento de afeto propicia mesmo a reconciliação de casais ou familiares que brigaram, além do perdão pelos erros recíprocos. Nesta hora propícia à reflexão, o maior presente que se pode receber, muito mais importante do que as coisas materiais - alçadas na consumista atualidade a fetiches idealizados - serão os sentimentos de gratidão pelo convívio mútuo, a ternura pela sorte de ter um ao outro, com todos os prazeres e os impasses inerentes às relações de um casal. Melhor ainda é não limitar esses bons sentimentos à solenidade natalina. Eles devem ser mais do que mera expressão de astúcia momentânea, representar as reais possibilidades de serem transformados em atos cotidianos.

Esta é a proposta de cada Natal aos seres humanos. Costuma-se ver o perdão como algo que acontece após uma falta, ocasionando o célebre pedido de desculpas. Sem dúvida, um gesto civilizado de reconhecimento de que o outro merece uma reparação após ser vítima de ação desastrada, imerecida ou injusta. Porém, nem sempre se atenta ao fato de que o termo perdão também significa poupar, evitar. Invocando responsabilidade prévia por seus atos, eu costumo lembrar a meus clientes que desculpas se pedem antes de se cometer uma injúria, no sentido de evitá-la. Claro que não somos perfeitos e cometemos faltas, especialmente junto à pessoa com quem temos mais intimidade, devido ao convívio que por vezes desmobiliza o cuidado. Mas o pedido de desculpas, tanto quanto as comemorações natalinas, não são reparações mágicas e não devem subtrair a autêntica introspecção sobre nossa conduta.

Alguns casais reclamam que chegam ao Natal sofrendo a deterioração de suas relações, sem reparar que ao longo do ano podem não ter prestado atenção ao fato de que o amor requer, além do desejo, uma série de cuidados e atenções recíprocos. Entre eles, a resignação com as inescapáveis frustrações e a tolerância com os paradoxos simultâneos ou alternados de amor e desamor. E há que se ter precaução com a própria pressão - e depressão! - natalina e do fim de ano: o frenesi da época faz algumas pessoas extremar as dificuldades de suas relações. Uma expectativa exagerada a respeito do que é a felicidade no amor e a fantasia de que o Natal e as relações dos outros é que são plenos e invejáveis podem levar a decisões intempestivas, provocando sofrimento desnecessário.

Paulo Sternick é psicanalista no Rio de Janeiro (Leblon, Barra e Teresópolis). E-mail: psternick@rjnet.com.br


REVISTA CARAS - EDIÇÃO 790 - ANO 15 - NÚMERO 52 - AMOR

êta vida besta, meu Deus!

Vida besta é de quem pensa que Caras só tem besteiras...depende como se olha!
Às vezes, tem que ver além das imagens, fotos. Que tal dar uma espiadinha com um olhar atento nas entrelinhas? Se abre um horizonte cheinho de surpresas. Acredite!


Feliz Ano Novo com um feliz olhar novo!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008




"Deseja-se prosperidade, paz, amor, isso e aquilo (‘Tudo de bom pra você’), mas todos se esquecem de desejar calma para saborear esse tudo de bom, se por milagre ele acontecer, e principalmente o nada de bom, que às vezes acontece em lugar dele."



CALMA, RAPAZ

Depois de eu já ter escrito vários textos sobre Natal, uns recomendando frear o impulso consumista, outros lembrando de como os gestos são mais significativos que os presentes, outro ainda homenageando a Mamãe Noel (bem mais pró-ativa nesta época do ano que o Papai), e textos ainda lembrando que há crianças que nunca tiveram colchão, lápis de cor, iogurte ou sapato, chego a outro fim de ano esgotada: o que mais dizer a essa altura do campeonato?

Eis que me chega em mãos um livrinho com textos de Drummond – ele mesmo – editado pela Record e chamado “Receita de ano novo”, onde encontro umas frases necessárias e bem mais brilhantes do que qualquer uma que eu possa inventar nesta época de tão pouca novidade. Então, caros, a crônica de hoje será feita a quatro mãos com a honrosa parceria de Carlos Drummond de Andrade, que na página 89 do tal livrinho destaca um certo João Brandão, personagem que significa uma João qualquer, qualquer um. Ele nos conta:
“Cheguei ao ponto construtivo destas considerações. João Brandão, que às vezes é modelo de sabedoria relativa (a absoluta consiste em deixar a fantasia agir), contou-me que todo ano recebe um cartão nesses termos: ‘CALMA, RAPAZ.’

“‘E quem é que te manda este cartão?’, perguntei-lhe. ‘Eu mesmo. Entro na fila, compro o selo, boto na caixa. Porque se eu não fizer isso, ninguém o fará por mim. Ao receber a mensagem, considero-a mandada por amigo vigilante e discreto, e faço fé na recomendação, que eu não saberia me impor, diante do espelho.’ Pausa e continuação:‘Tem me ajudado muito. Você já reparou que ninguém recomenda calma a ninguém, na época de desejar coisas? Deseja-se prosperidade, paz, amor, isso e aquilo (‘Tudo de bom pra você’), mas todos se esquecem de desejar calma para saborear esse tudo de bom, se por milagre ele acontecer, e principalmente o nada de bom, que às vezes acontece em lugar dele. Como você está vendo, não chega a ser um voto que eu dirijo a mim próprio, pelo correio. É uma vacina’.”

Se você pudesse mandar um cartão pra si mesmo (e pode), o que escreveria nele, que vacina aplicaria a si próprio? Pense em qualquer frase, seja lugar-comum ou incomum, algo profundo ou raso, inventado por você ou pelo acaso.
“Troque a tristeza pelo alívio.”
“Não queira nada dos outros que já não seja seu.”
“Pare de lutar tanto pela manutenção do tédio.”
“Viver é existir sem medo.”
“Espante-se consigo próprio.”
“Melhor ter uma vida imperfeita que imitar a vida perfeita dos outros.”

O que mais? Pesquise, vá atrás do que você andou sublinhando por aí, se lembre de algo que lhe comoveu ou que lhe fez rir muito, procure nos livros de poesia, filosofia – ou nos livros de sacanagem, por que não?
Neste Natal, mande um cartão endereçado a você mesmo. Em poucas palavras, coloque ali a vacina que vai salvá-lo em 2009. Seja seu próprio João Brandão.
Feliz reencontro com o que você deseja.

Martha Medeiros

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


"Eu queria que pudéssemos guardar um pouco do espírito do Natal em potes, e abrir um pote a cada mês".


Harlan Miller


Mal começou dezembro e a vida se tornou uma grande festa. Cada dia um encontro, uma confraternização, muitos abraços, presentes, comes e bebes. Enfeites para todos os lados, em casa, nas ruas, nas vitrines. Uma mega produção. Peninha que tudo se concentra num só mês...tudo se esvazia para um ano novinho recomeçar...E lá vou eu!



"Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor."
(Hamilton Wright Mabi)

domingo, 14 de dezembro de 2008



Espírito de Natal

Nasceu Jesus, Filho do Homem, Redentor!
Na gruta de Belém, numa manjedoura,
cercado por animais, sentindo calor
dos anjos enviados dos céus. Lavoura

de estrelas brilhantes, coloridas, levam
mensagem bordada de luz, paz, unidas
por cordão de ouro, sentimentos carregam
os corações de amor, das almas remidas!

E o espírito de natal, chega aos corações
humanizando o homem, vem apalcando
a dureza da alma, repartindo emoções!

Natal! Tempo de agradecer pela vida,
é tempo de humildade, ter fé, abrindo
caminho do perdão, viver nova vida!

Marta Peres

sábado, 13 de dezembro de 2008


"...O cotidiano imutável nos envenena.
É preciso um beijo para despertar para a vida.
O verdadeiro príncipe
é aquele que nos acorda
e nos faz mudar o rumo da nossa história."
(Martha Medeiros)



"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço."

Ricardo Gondim

É o 'Tempo que foge!"



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.


Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

terça-feira, 9 de dezembro de 2008


Dolorosa Interrogação
Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos, e não agüenta os que continuam vivos?

Mario Quintana

É fim de ano.
Todos estão estressados.
Corre-se não sei para onde e não sei porque.
Tudo em nome das festas de fim de ano.
Não é coisa de gente louca?
Há desgaste em todos os sentidos só para "festear" e chega na hora da festa o que menos se faz é festa...
O detalhe maior é que ninguém está aguentando ninguém...E é NATAL!

domingo, 7 de dezembro de 2008




"A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas."


(Carlos Drummond de Andrade)


"O menino pergunta ao eco
onde é que ele se esconde.
Mas o eco só responde: "Onde? Onde?"
O menino também lhe pede:
"Eco, vem passear comigo!"
Mas não sabe se o eco é amigo
ou inimigo.
Pois só lhe ouve dizer: "Migo!"

(Cecília Meireles)

Tomara que o "cultivo" seja do "migo" amigo...
Vai saber!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Ostra Feliz Não Faz Pérola

"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.
Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão..." Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.
O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."
Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos.
As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.

Rubem Alves



Pérolas & Pérolas

Os moluscos são conhecidos pela produção de pérolas, muito usadas na fabricação de jóias.Há cerca de 600 anos as pérolas fazem parte do mundo das gemas preciosas e somente os membros da realeza é que possuíam tal jóia.

A produção das pérolas é iniciada quando uma partícula estranha, como um grão de areia, penetra acidentalmente entre a concha e um tecido que recebe o corpo do animal chamado manto. Essa partícula estranha é então envolvida por camadas de nácar, que é uma substância brilhante produzida pelo animal e que também recobre o interior das conchas.Assim, a produção de pérolas consiste num mecanismo de defesa do bivalve contra elementos intrusos.

Como são necessárias condições naturais muito especiais para a formação das pérolas, foram desenvolvidas técnicas artificiais para a reprodução das mesmas. Um dos principais locais de cultivo de pérolas encontram-se na baía de Ago, no Japão. Aí, as ostras são colhidas por mergulhadores, que os levas para os especialistas, que escolhem aquelas cujo o desenvolvimento seja completo. Nas ostras escolhidas introduz-se uma bolinha de madrepérola recoberta por um pedaço de manto. A seguir as ostras assim tratadas são devolvidas em jaulas especiais de bambu para o fundo do mar. Após mais ou menos cinco anos, as ostras são recolhidas e as pérolas são retiradas. Para que não se inutilizem as ostras que não contenham pérolas, elas são submetidas a Raio-X.
As pérolas assim obtidas são classificadas quanto ao seu tamanho e brilho. As pérolas cultivadas são dificilmente distinguíveis das pérolas naturais e são tão preciosas quanto elas.


A origem da palavra pérola vem do latim e seu significado talvez venha de um molusco "perna" ou devido a sua forma esférica "sphaerula". As pérolas são produzidas por moluscos e seu tamanho varia do de uma cabeça de alfinete e o de um ovo de pomba. A maior pérola encontrada pesa 450 quilates.

As pérolas têm que ser armazenadas separadamente das outras peças, envolvidas em tecido. Limpe-as com um pano úmido e evite produtos químicos da casa, produtos para os cabelos, cosméticos e perfumes pois tiram o brilho das pérolas

A pérola é a gema dos amantes. Dizem que se usada enquanto estiver dormindo, terá sonhos de romances verdadeiros. Protege a inocência e simboliza a pureza.



Ostras no Champanhe


24 ostras tamanho médio
10 cl de creme de leite
2 gemas de ovo, sal e pimenta do reino
1/2 garrafa de champanhe ( ou vinho branco seco )



Abrir duas dúzias de ostras frescas, destacar os
moluscos das cascas. Guardar em uma panela pequena,
tendo o cuidado de juntar a própria água contida nas
ostras. Juntar o Champanhe (meio seco) levar a fervura
rápida e deixar descansar alguns minutos.
Retomar os moluscos fervidos das ostras nas cascas.
Bater o creme de leite, juntar as duas gemas de ovo,
formando assim um creme leve. Depois misturar ao suco
obtido do cozimento das ostras. Adicionar sal e pimenta
à gosto. Despejar o molho sobre as ostras na casca.
Levar tudo ao forno quente por alguns minutos.

"Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é ROUBAR. Quando você mata um homem, está roubando uma vida; está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça. Não há ato mais infame do que roubar."

Khaled Hosseini


Khaled Hosseini (Cabul, 4 de Março de 1965) é um romancista e médico afegão, com naturalização estadunidense. É o autor do romance best-seller, The Kite Runner ("O Caçador de Pipas").


Quando Hosseini era criança, leu desde poesias persas à romances como Alice no País das Maravilhas e a série do detetive Mike Hammers, do escritor Mickey Spillane. As memórias de um Afeganistão pré-invasão soviética e suas experiências pessoais, o levaram a escrever o seu primeiro romance, The Kite Runner (O Caçador de Pipas). Um homem hazara, chamado Hossein Khan, trabalhou para os Hosseini quando eles moravam no Irã. Quando Hosseini estava cursando seu terceiro grau, ensinou Khan a ler e a escrever. Ainda que o relacionamento com Hossein Khan tenha sido breve e um tanto formal, a afeição de Hosseini por esta rápida amizade serviu como inspiração para o relacionamento entre Hassan e Amir em The Kite Runner.



• The Kite Runner (ISBN 1-59448-000-1) (O Caçador de Pipas) é a história do jovem garoto, Amir, que, mesmo depois de adulto, é constantemente atormentado por memórias de um trágico evento que ocorrera em sua infância. O romance tem como cenários o Afeganistão, desde a queda da monarquia até o colapso do regime Talibã, e a cidade de São Francisco, EUA. Dentre os diversos temas abordados, encontram-se as tensões étnicas entre os Hazara e os Pashtun no Afeganistão, e as experiências de imigração de Amir e seu pai para os EUA. O romance é o terceiro lugar entre os mais vendidos em 2005 nos EUA[1].
Hosseini dedicou este livro aos seus filhos, Harris e Farah, e às crianças do Afeganistão. Pouco depois o filme O Caçador de Pipas foi lançado, numa produção de Sam Mendes.



• A Thousand Splendid Suns (A Cidade do Sol) é o encontro de duas histórias. Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008



"Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova..."

(Mario Quintana In: A Cor do Invisível)
(desenho de Azoriana)

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido

(Ivan Lins e Victor Martins)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008


Passando dos Cinqüenta


Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.

Marina Colasanti

Está explicado o nessecidade do preenchimento das rugas que insistem em rodear minha boca..sorrisos tantos e muitos trancar de dentes sobre caladas coisas...
Mas vou deixar os vincos por aqui mesmo. Afinal de contas, não dá para fingir que não se viveu...e aprendeu...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008


¨Amigos morrem,
as ruas morrem,
as casas morrem.
Os homens se amparam em retratos.
Ou no coração de outros homens.


(Ferreira Gullar)