quinta-feira, 27 de março de 2008



Lendo mais uma vez Rubem Alves...A crônica "Aos apaixonados", onde destaco esse fragmento...O cara é bárbaro!!!Compartilha comigo?


[...]A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre. O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola.

Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos.

Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca. Nela se encontram as estórias que amamos. Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa, O paciente inglês, As pontes de Madison, Amor nos tempos do cólera, A menina e o pássaro encantado. As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas, escolhemos uma. É a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-lo encontrado – que felicidade! Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu para você, você para mim... Nós o colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.

Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos. É um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.

Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro".

Não haverá uma saída. Lembro-me de um pequeno poema de Pearls que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas:


Eu sou eu.

Você é você.

Eu não estou neste mundo para atender

às suas expectativas.

E você não está neste mundo para atender

às minhas expectativas.

Eu faço a minha coisa.

Você faz a sua.

E quando nos encontramos,

é muito bom.




Rubem Alves, O amor que acende a lua, 1999.

segunda-feira, 24 de março de 2008




São Francisco do Sul - cedido pela Secretaria de Turismo. Para mais informações acesse Portal de São Francisco do Sul - www.sfs.com.br


Chegada dos turistas para visitação...clicada por nós...




Essas são nossos pontos de vista [ almoço no restaurante...]



Esta ilha Catarina
Cercada de sol por todos os lados,
É a terra prometida,
O paraíso de areia.
A natureza, generosa,
Deu as praias mais bonitas
A este chão francisquense.
E deixou que eu, poeta,
Me quedasse à beira-mar
Para sonhar esperanças,
Para cantar as belezas
Desta nossa São Francisco
De história e tradição,
Completando 500 anos,
Da idade do Brasil...
Cidade antiga, São Chico,
Com suas estreitas ruas,
Casario açoriano,
Mas jovem ao mesmo tempo,
Crescendo ainda, menina...
[Luiz Carlos Amorim]


O tempo marcava chuvas e trovoadas...
Foi contrariado, graças a Deus!
Nosso feriado de Páscoa com filhos foi maravilhoso.

Estivemos em São Francisco do Sul, a terceira cidade mais antiga do Brasil[Em 2004 comemorou os quinhentos anos do seu descobrimento.]

São Francisco do Sul, estava todinha para nós: Sol,momumentos históricos, Baía de Babitonga,casarios açoriano,ruas estreitas,estação ferroviária, o porto e suas encantadoras praias.

Quando estávamos degustando um saboroso almoço,chegam para visitação, turistas a bordo do iate "Príncepe de Joiville III" que vieram de Joinville a São Francisco.

Fomos conhecer as praias...A Praia de Enseada é a mais movimentada e uma das melhores praias do norte do estado.Com 3 km de extensão é o principal local de shows, campeonatos esportivos, e demais atrações, que acontecem durante o verão. E realmente A-DO-RA-MOS!!!!

Foi tudo muito mágico!
Família reunida em lugar paradisíaco.

quinta-feira, 20 de março de 2008



Hora de comer — comer!

Hora de dormir — dormir!

Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
[Ascenso Ferreira]



Hoje começa o feriado...
Para maior segurança aos que se deslocarem pelas rodovias para desfrutarem o feriado de Páscoa,a recomendação é para os motoristas.

Observar a velocidade das vias

Respeitar à sinalização

Não combinar álcool com a direção de veículo

Usar cinto de segurança e exijir o mesmo de todos os passageiros do veículo

Redobrar os cuidados nas ultrapassagens permitidas,tendo em vista o grande fluxos de veículos neste feriadão.


é hOjE O DiA
dA AlEgRiA
e a tRiStEzA
nEm pOdE PeNsAr eM ChEgAr...
bOm fDs!
вєιנσѕ ρєяƒυмα∂σѕ
MaRtHa hElEnA

quarta-feira, 19 de março de 2008


Do hebraico Pessach,Páscoa, significa a passagem da escravidão para a liberdade. É a maior festa do cristianismo e, naturalmente, de todos os cristãos, pois nela se comemora a Passagem de Cristo - "deste mundo para o Pai", da "morte para a vida", das "trevas para a luz


[Cristo Amarelo, de Paul Gauguin]


Vamos encontrar os filhos e nora neste feriado de Páscoa.
Então, antecipo meus votos de uma FELIZ PÁSCOA!


Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor do que coelhos, para simbolizar a fertilidade!

Desejo nesta páscoa muitos coelhos gerando sem parar.... o amor, paz e esperança


Que a gente não esqueça:

A vida é um eterno ressurgir...

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Escreva a Sua História
Pedro Bial

Escreva a sua história na areia da praia,
Para que as ondas a levem através dos 7 mares;
Até tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na
manhã seguinte pelos garis.

Abra seu peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.

Defenda a sua palavra,
A vida não vale nada se você não viver uma boa história pra
contar.


DETALHE: Seje você mesmo!
Bjus
Martha Helena

sexta-feira, 14 de março de 2008



Abduzida por alienígenas?

Será que os alienígenas realmente abduzem as pessoas e fazem experimentos com elas?
As histórias de abduzidos são absolutamente semelhantes:

“ Muitas pessoas se lembram de ficar banhadas em luz e de se sentir paralisadas. Depois, há a sensação de serem transportadas em um raio de luz até a nave espacial alienígena. Elas descrevem uma sala de exames em que seu corpo é analisado, investigado e estudado de vários modos. Muitos dizem que seu esperma ou óvulos foram removidos e usados para produzir prole humano-alienígena, que algumas pessoas dizem ter encontrado quando retornaram à nave posteriormente. “

Definitivamente: Não é meu caso!

Não tenho lembranças e nem me imagino nesta situação.

O que está acontecendo comigo é que estou me achando “estranha” de mim mesma. Sem notar alienígenas, sem mais nem menos, eis que surge momentos calmaria de uma vida intensa...
Quietude!!!!...

“[...E é nessa quietude,

Que eu me deparo

Com a verdade absoluta;

O real sentido da existência:

Na vida, o amor é a essência!”[...]
[Ângela Conde]



Minha vida está assim, sem pressa, sem exigências, serena e tranqüila na superfície, os tambores deixaram de tocar frenéticamente , mas estou bem. Diferente, mas bem.

Se me contassem eu não acreditaria!
Sempre fui over!
Barulhenta e "alarmenta"[desde criança ouvi dizer: Que alarmenta!
As pilhas tinham que ser “duracell”...e estou me contentando com outras quaisquer....

Estou sentindo Clarice...

“Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.”
[Clarice Lispector]


Não seria eu, a MARTHA HELENA, se não fosse tentar buscar respostas.
O livro "O Mal-Estar de uma Civilização", uma análise sobre a felicidade humana, de Sigmund Freud,relata que o propósito e intenção do homem é obter a felicidade,que queremos ser felizes e assim permanecer.
Estou temendo estar sofrendo da “felicidade da quietetude”, onde a satisfação não é abandonada, mas protegida . Uma tentativa de recriar o mundo, adequação...afastamento
Por outro lado, menos trágico, Fernando Pessoa como Bernardo Soares ,no LIVRO DO DESASSOSSEGO...me Sossega....

"Viver é ser outro. Nem sentir é possível, se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida. Apagar tudo do quadro de um dia para outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua de emoção - isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos."

sábado, 1 de março de 2008



As tensões do dia a dia estão ai, não tem como mudar. São partes do mundo louco e desenfreado que estamos vivendo.
Nesta questão, a saída é nos adaptarmos, não tem outro jeito, a não ser que estamos nem ai para o risco de adoecer, tanto emocionalmente quanto fisicamente.

Ballone GJ, no artigo "CONVIVÊNCIA COM O PRÓXIMO", revela muito bem o que estou falando.

"Saber a diferença entre o conformismo e adaptação é muito importante para adotar uma atitude sadia. Aceitar com indiferença a situação presente, sem nenhuma energia para procurar mudanças é estar conformado. Isso não é sadio e não contribui para melhorar nossa vida e nossa personalidade. Reclamar, protestar, achar que não está bom e procurar novas atitudes deve fazer parte de um inconformismo sadio e desejável de cada um.Por outro lado, adoecer e passar mal devido às circunstâncias adversas atuais é, não apenas estar inconformado mas, também, estar desadaptado. "

Rubem Alves,para mim,lúcido como sempre,coloca no texto "A pipoca" que:
" Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem."
Deixo aqui,para reflexão,o texto de Rubem Alves:

A pipoca
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.